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Transplante de útero: o que é, como é feito e possíveis riscos

Byadmin

ago 31, 2021
Transplante de útero: o que é, como é feito e possíveis riscos

O transplante de útero, ou transplante uterino, é um tipo de tratamento experimental, que consiste em retirar o útero de uma doadora viva ou que esteja com morte cerebral, para implantar em uma mulher que deseja engravidar mas que não possui útero ou que não possui um útero saudável, sendo incapaz de manter uma gravidez, por exemplo.

Além disso, o transplante de útero tem sido estudado para transexuais, mas ainda não se sabe se mesmo com o útero transplantado, poderiam engravidar devido às diferenças anatômicas, fisiológicas, de fertilidade e obstétricas.

O transplante de útero é um procedimento complexo, que pode trazer riscos para a doadora e para a receptora, como hemorragia durante a cirurgia ou dor no pós operatório, além de rejeição do útero transplantado. Apesar disso, em todo o mundo cerca de 50 transplantes de útero já foram realizados, sendo que 16 resultaram em gravidez bem sucedida. 

Quando é indicado

O transplante de útero pode ser indicado pelo médico para mulheres em idade reprodutiva, dos 20 aos 40 anos, nos casos como:

  • Malformações no útero que não podem ser corrigidas por meio de cirurgia; 
  • Infertilidade devido à falta de útero, por ter nascido sem útero;
  • Ter sofrido cirurgia para retirada do útero devido a doenças como mioma, câncer de colo do útero ou dor pélvica crônica, por exemplo;
  • Presença de útero que não funciona adequadamente, impedindo a gravidez.

Além disso, para a realização do transplante de útero as mulheres devem ter o peso saudável, não fumar, e não podem ter outras doenças como diabetes, infecção pelo HIV ou hepatite B ou C, por exemplo. 

Transplante de útero em homem

O transplante de útero em homens tem sido estudado para permitir a gestação e o nascimento de bebês, especificamente em transexuais.

No entanto, esse tipo de tratamento possui algumas limitações anatômicas e fisiológicas como o formato da pelve masculina que é mais estreita e tem abertura menor que a feminina, a fixação do útero na cavidade abdominal, uso de remédios hormonais específicos antes de transferir o embrião para o útero e para manter a gestação.

Além disso, é necessário o uso de remédios imunossupressores, para evitar a rejeição do útero, podendo levar a complicações como infecções, por exemplo, além de ainda não se saber a dose mais eficaz no transplante de útero.

O transplante de útero em transexuais ainda necessita de mais estudos antes que possa ser realizado, ainda não sendo recomendada para mulheres transexuais.

Como é feito o transplante de útero

A cirurgia para o transplante de útero possui algumas etapas que incluem:

  • Avaliação inicial do estado de saúde da receptora do útero, que permite verificar se apresenta alguma doença ou complicações que possam prejudicar o transplante;
  • Indução da ovulação, com a utilização de hormônios, que estimulam a produção de folículos pelos ovários. Entenda melhor como é feita a indução da ovulação e quais hormônios são utilizados;
  • Fertilização in vitro e congelamento dos embriões, para serem implantados futuramente após o transplante de útero;
  • Cirurgia para retirada do útero não funcionante da mulher que vai receber a doação do útero, mantendo os ovários e as trompas de falópio, também chamadas de tubas uterinas;
  • Cirurgia para retirada do útero saudável da doadora viva, que pode ser retirado de uma familiar com o mesmo tipo de sangue ou ser doado por outra mulher compatível, ou pode ser feito com a doação do útero de uma mulher com morte cerebral;
  • Transplante do útero saudável da doadora para a receptora, sem que seja feita a ligação aos ovários. No entanto, são conectados os músculos, cartilagens, tendões, artérias, veias e outros vasos sanguíneos para permitir que o útero novo funcione;
  • Utilização de remédios imunossupressores pela mulher que recebeu o transplante, para evitar rejeição do útero novo.
  • O transplante de útero é temporário, ou seja, o útero permanece apenas o tempo suficiente para 1 ou 2 gravidez. Após esse período, o útero é retirado através de uma cirurgia chamada histerectomia. Veja como é feita a histerectomia e como é a recuperação.  

    A retirada do útero transplantado é feita para evitar que a receptora necessite tomar imunossupressores por períodos prolongados, evitando as complicações e efeitos colaterais deste tipo de tratamento.

    Como é feita a doação do útero

    A doação do útero pode ser feita por uma doadora viva ou que esteja com morte cerebral, no entanto, devido a dificuldade de se conseguir o útero de doadoras falecidas, o transplante de útero de uma doadora viva, é mais comum.

    Para doar o útero, alguns procedimentos e critérios são avaliados como:

    • Não ter doenças que impeçam a doação, como pressão alta, diabetes ou colesterol alto, por exemplo;
    • Saúde do útero por meio de exames que identificam infertilidade, tamanho e espessura do útero, presença de pólipos, miomas, endometriose, HPV, aderências ou infecções, além da saúde dos vasos sanguíneos e artérias que nutrem o útero;
    • Fertilidade comprovada, sendo que as candidatas à doação não podem estar na menopausa;
    • Não ter feito nenhuma cirurgia no útero anteriormente;
    • Tipo de sangue compatível com a mulher que irá receber o útero;
    • Compatibilidade do sistema imunológico da doadora e da receptora;

    Após toda a avaliação da doadora selecionada, é feita a cirurgia para remoção do útero e do colo do útero, e é importante que a doadora permaneça na UTI por vários dias para permitir o controle da dor e o acompanhamento médico para prevenir infecções. 

    É possível engravidar naturalmente após o transplante?

    A mulher poderá engravidar através da fertilização in vitro, porque a gravidez natural fica impossibilitada uma vez que os ovários não estão ligados ao útero. A recomendação é que, após o transplante de útero, deve-se esperar pelo menos 12 meses para realizar a fertilização in vitro, pois permite saber se o útero não é rejeitado pelo organismo.

    Os médicos não ligam o novo útero aos ovários porque seria muito difícil fazer com que não houvesse cicatrizes que dificultariam a deslocação do óvulo pelas trompas de falópio até o útero, o que poderia dificultar a gravidez ou facilitar o desenvolvimento de uma gravidez ectópica, por exemplo.

    Riscos do transplante de útero

    Apesar de possibilitar uma gravidez, o transplante de útero é muito arriscado, pois pode trazer várias complicações para a mãe ou para o bebê. 

    Os riscos do transplante de útero incluem:

    • Perda de grandes volumes de sangue, podendo ser necessária transfusão sanguínea;
    • Formação de coágulos sanguíneos;
    • Infecção ou rejeição do útero novo;
    • Reação alérgica à anestesia;
    • Resposta fraca aos remédios imunossupressores; 
    • Aumento do risco de pré-eclampsia;
    • Aumento do risco de aborto em qualquer fase da gravidez;
    • Restrição de crescimento do bebê;
    • Nascimento prematuro.

    Além disso, o uso de medicamentos imunossupressores, para evitar a rejeição do órgão, podem causar outras complicações, que ainda não são totalmente conhecidas.