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Vacina COVID-19: tipos, como funcionam, doses e efeitos colaterais

Byadmin

ago 24, 2021
Vacina COVID 19: tipos, como funcionam, doses e efeitos colaterais

Várias vacinas contra a COVID-19 estão sendo estudadas e desenvolvidas em todo o mundo para tentar combater a pandemia causada pelo novo coronavírus. Até ao momento, as principais vacinas aprovadas para uso emergencial pela OMS são:

  • Pfizer e BioNTech (Comirnaty, BNT162): a vacina apresentou 95% de eficácia contra infecção e 100% contra casos graves da doença;
  • Moderna (mRNA-1273): a vacina apresentou 94,1% de eficácia contra infecção e 95% contra casos graves da doença;
  • Instituto de Pesquisa Gamaleya (Sputnik V): a vacina russa apresentou 91,6% de eficácia contra a COVID-19;
  • AstraZeneca e Universidade de Oxford (AZD1222): a vacina demonstrou eficácia de 70,4% contra a infecção e 100% contra casos graves da infecção;
  • Sinovac (Coronavac): demonstrou uma taxa de eficácia de 78% para casos leves e de 100% para infecções moderadas e graves;
  • Johnson & Johnson (JNJ-78436735): apresentou taxa de eficácia de 66 a 85%, sendo que essa taxa variou de acordo com o país onde foi aplicada. Apresenta ainda 100% de eficácia contra casos graves de COVID-19.

Outras vacinas como a NVX-CoV2373, da Novavax, a Ad5-nCoV, da CanSino ou a Covaxin, da Bharat Biotech, também estão sendo utilizadas, especialmente na China e na Índia.

Vacina COVID 19: tipos, como funcionam, doses e efeitos colaterais

Vacinas usadas no Brasil e Portugal

As vacina contra a COVID-19 que se encontram em uso no Brasil são a vacina da Pfizer e BioNTech; a Coronavac; a Covaxin; a vacina da Johnson & Johnson; a vacina da AstraZeneca e a vacina Sputnik V.

Já em Portugal, as vacinas em uso são a da Pfizer e BioNTech; a da Moderna; a vacina da Johnson & Johnson e a vacina da AstraZeneca.

Como funcionam as vacinas da COVID-19

As vacinas contra a COVID-19 têm sido desenvolvidas com base em 3 tipos de tecnologia:

  • Tecnologia genética do RNA mensageiro (Pfizer e Moderna): é uma tecnologia mais utilizada na produção de vacinas para animais e que faz com que as células saudáveis do corpo produzam a mesma proteína que o coronavírus utiliza para entrar nas células. Ao fazer isso, o sistema imune é obrigado a produzir anticorpos que, durante uma infecção, podem neutralizar a proteína do verdadeiro coronavírus e impedir o desenvolvimento da infecção;
  • Uso de adenovírus modificados (Astrazeneca, Sputnik V e J&J): consiste em utilizar adenovírus, que são inofensivos para o corpo humano, e modificá-los geneticamente para que atuem de forma parecida com o coronavírus, mas sem risco para a saúde. Isso faz com que o sistema imunológico treine e produza anticorpos capazes de eliminar o vírus caso aconteça a infecção;
  • Uso do coronavírus inativado (Coronavac) : é utilizada uma forma inativada do novo coronavírus que não provoca a infecção, nem problemas para a saúde, mas que permite ao corpo produzir os anticorpos necessários para combater o vírus.

Todas estas formas de funcionamento são teoricamente eficazes e já funcionam na produção de vacinas para outras doenças. Confira as 18 dúvidas mais comuns sobre a vacina da COVID-19.

O Dr. Esper Kallas, infectologista e Professor Titular do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da FMUSP esclarece as principais dúvidas a respeito da vacinação:

Imagem representativa do vídeo

Quantas doses da vacina são necessárias?

O número de doses necessárias para garantir a maior proteção contra o novo coronavírus varia de acordo com a vacina sendo utilizada:

  • Coronavac: 2 doses, com intervalo de 2 a 4 semanas;
  • Pfizer e BioNTech: 2 doses, com intervalo de 28 dias;
  • Moderna: 2 doses, com intervalo de 28 dias;
  • Covaxin: 2 doses, com intervalo de 28 dias;
  • Astrazeneca: 2 doses, com intervalo de 12 semanas;
  • Sputnik V: 2 doses, com intervalo de 21 dias;
  • Johnson & Johnson: 1 dose única.

Nas vacinas que precisam de duas aplicações, a OMS recomenda que ambas as doses sejam do mesmo laboratório, não existindo, para já, benefício reconhecido no uso de doses de vacinas diferentes.

É preciso tomar a terceira dose da vacina?

A ANVISA autorizou alguns estudos em pessoas com mais de 18 anos que receberam duas doses da CoronaVac há pelo menos 6 meses, para a aplicação da terceira dose de uma das vacinas contra a COVID-19 da Pfizer, da AstraZeneca ou da Janssen. No entanto, o Ministério da Saúde ainda aguarda o resultado desses estudos, para que seja feita uma dose de reforço da vacina, que está prevista para ser feita inicialmente em idosos e profissionais de saúde [5].

Da mesma forma, em Portugal, a terceira dose da vacina contra a COVID-19 ainda não foi autorizada, pois aguarda resultados de estudos, além da aprovação da Agência Europeia do Medicamento (EMA).

Entretanto, o FDA, nos Estados Unidos, aprovou o uso emergencial da terceira dose das vacinas Pfizer e da Moderna contra a COVID-19, administrada 28 dias após o término das duas doses iniciais, apenas para pessoas que fizeram transplante de órgãos ou que têm doenças que levam ao enfraquecimento do sistema imunológico, para garantir uma imunidade extra e prevenir o desenvolvimento da forma grave da COVID-19 [6].

Já em Israel, a terceira dose da Pfizer já está sendo administrada em idosos com mais de 60 anos para evitar a infecção com a variante delta [7]. Entenda melhor o que é a variante delta e como é transmitida.  

A vacina é eficaz contra as novas variantes do vírus?

De acordo com a OMS [3], as vacinas contra a COVID-19 deverão apresentar efeito contra as variantes do vírus que forem surgindo, já que estimulam uma complexa resposta imune de todo o organismo, que ficará “atento” para particulas do novo coronavírus, mesmo que surjam algumas modificações na sua estrutura.

Ainda assim, mesmo que se fique infectado com uma nova variante, as chances de desenvolver uma infecção grave que coloque a vida em risco é muito inferior para quem se encontra completamente imunizado, ou seja, com mais de 2 semanas após a 2ª dose da vacina.

É esperado que, ao longo do tempo, e à medida que vão surgindo novas variantes, que a composição das vacinas seja gradualmente atualizada, para conferir maior proteção.

Quanto tempo demora para fazer efeito?

O efeito de proteção da vacina contra a COVID-19 pode demorar algumas semanas, pois o corpo precisa de tempo para conseguir produzir os anticorpos que vão garantir imunidade contra a infecção.

Além disso, no caso das vacinas que precisam de 2 doses, a proteção só é garantida 2 a 3 semanas depois da 2ª dose.

Crianças e adolescentes podem tomar a vacina?

As recomendações do Centro de Tratamento e Prevenção de Doenças (CDC) é que todas as crianças e adolescentes com mais de 12 anos, sejam vacinados contra a COVID-19, com a vacina da Pfizer e BioNTech (Cominarty) [8].

No Brasil, a ANVISA aprovou em junho de 2021, o uso da vacina da Pfizer e BioNTech em crianças com mais de 12 anos, em duas doses. No entanto, a ANVISA negou a solicitação do Butantan para aprovação do uso da vacina CoronaVac em crianças e adolescentes de 3 a 17 anos, devido à falta de estudos científicos que comprovem a eficácia e segurança dessa vacina nessa faixa etária.

Em Portugal, a vacina da Pfizer e BioNTech também está aprovada para aplicação em crianças com mais de 12 anos.

Possíveis efeitos colaterais

De acordo com a OMS [4], os efeitos colaterais mais comuns das vacinas que estão sendo usadas contra a COVID-19 são:

  • Dor e/ou inchaço no local da injeção;
  • Cansaço excessivo;
  • Dor de cabeça;
  • Dor muscular;
  • Febre e calafrios;
  • Diarreia.

Estes efeitos colaterais são semelhantes aos de muitas outras vacinas, incluindo a vacina da gripe comum, por exemplo. Geralmente surgem nos primeiros 3 dias após a vacinação e desaparecem rapidamente sem necessitar de qualquer tratamento específico. Veja como aliviar os efeitos colaterais das vacinas.

Existe ainda o risco de a vacina da COVID-19 causar alergia grave em algumas pessoas. Embora este seja um efeito muito raro, deve ser assistido o mais rápido possível. Por esse motivo, muitas pessoas precisam esperar 15 a 30 minutos antes de serem liberadas após a vacinação. Ainda assim, qualquer pessoa que apresente sinais de alergia grave algumas horas ou dias após a vacinação, como inchaço do rosto ou dificuldade para respirar, deve ir rapidamente ao hospital.

A vacina da COVID-19 pode causar trombose?

Embora existam alguns relatos de pessoas que desenvolveram trombose venosa profunda ou embolia pulmonar após fazer a vacinação contra a COVID-19, o risco desse tipo de complicações é considerado extremamente baixo. Já o risco de trombose por COVID-19, é muito superior.

Além disso, foram identificados raros casos de trombose associada a trombocitopenia (diminuição da quantidade de plaquetas) 4 a 52 dias após a vacinas de adenovírus (AstraZeneca e Johnson & Johnson). Assim, na presença de sinais e sintomas de trombocitopenia e trombose após a vacinação, como falta de ar, dor no peito, dor nas pernas, visão turva ou hematomas, por exemplo, é importante que o médico seja consultado para que o tratamento seja iniciado. Nestes casos, a segunda dose da vacina está desaconselhada.

Apesar dos relatos, a ocorrência de trombose devido à vacinação é rara e, por isso, a vacinação continua sendo recomendada e é considerada segura pelas principais autoridades de saúde, como a Anvisa, a Agência Europeia de Medicamentos ou a OMS.

A vacina pode casuar síndrome de Guillain-Barré?

De acordo com a FDA, nos Estados Unidos, a vacina da Jonhson & Johnson parece aumentar o risco de desenvolver síndrome de Guillain-Barré nos primeiros 42 dias após a vacinação. No entanto, esses casos são muito raros e não são uma contraindicação par a vacinação, que deve continuar a ser feita.

A síndrome de Guillain-Barré afeta principalmente os músculos e normalmente causa o aparecimento de formigamento e fraqueza nos braços e pernas. Caso este tipo de sintomas seja identificado nos primeiros 2 meses após a vacinação, é importante consultar um médico ou ir à urgência. Veja mais sobre a síndrome de Guillain-Barré, seus sintomas e tratamento.

Quem já teve COVID-19 pode tomar a vacina?

A orientação é que todas as pessoas possam ser vacinadas de forma segura, tendo tido, ou não, infecção anterior por COVID-19. Embora os estudos indiquem que após a infecção o corpo desenvolva defesas naturais contra o vírus durante, pelo menos, 90 dias, outros estudos também indicam que a imunidade conferida pela vacina seja até 3 vezes maior.

No Brasil, a recomendação é que pessoas que já tiveram COVID-19 sejam vacinadas depois de 1 mês da infecção, enquanto em Portugal esse período é de 6 meses. A completa imunidade da vacina apenas é considerada ativa depois que todas as doses da vacina são administradas.

Em qualquer caso, tendo sido feita a vacinação ou tendo-se tido uma infecção anterior por COVID-19, é recomendado continuar a adotar as medidas de proteção individual, como uso de máscara, lavagem frequente das mãos e distanciamento social.

É seguro tomar a vacina da COVID e da gripe juntas?

Ainda não se conhece qual os efeitos de tomar a vacina da COVID e da gripe juntas, por esse motivo é recomendado que entre cada vacina seja respeitado o período mínimo de 14 dias.

O Ministério da Saúde do Brasil também recomenda que seja dada prioridade para a vacinação contra a COVID-19, caso os grupos prioritários sejam chamados para fazer ambas as vacinações no mesmo período. Assim, deve ser feita primeiro a vacina contra a COVID-19 e só depois a vacina da gripe. Confira outras dúvidas sobre a vacina da gripe.

No caso de vacinas contra a COVID-19 que precisam de 2 doses administradas com menos de 4 semanas de intervalo, como acontece com a Coronavac, deve-se primeiro fazer as duas doses dessa vacina e só depois receber a vacina da gripe, respeitando o intervalo de 2 semanas desde a 2ª dose.

Já vacinas que precisam de um intervalo maior entre as doses, como é o caso da vacina da vacina da Pfizer ou AstraZeneca, a vacina da gripe pode ser administrada entre as 2 doses, desde que seja respeitado o período de 2 semanas a partir da 1ª dose da vacina para a COVID-19 e 14 dias antes da 2º dose da vacina da COVID.

Quem não deve tomar a vacina

A vacina contra a COVID-19 não deve ser administrada em pessoas com histórico de reações alérgicas graves a algum dos componentes da vacina. Além disso, a vacinação também só deve ser feita após avaliação de um médico no caso de crianças com menos de 16 anos e mulheres a amamentar.

Pacientes a fazer uso de imunossupressores ou com doenças autoimunes também devem fazer a vacinação apenas sobre supervisão do médico responsável pelo tratamento.

Durante a gravidez, as orientações variam de acordo com as autoridades de saúde cada país. No Brasil, a vacinação pode ser feita desde que a grávida tenha receita médica e mais de 18 anos, sendo recomendada a administração da Coronavac ou vacina da Pfizer. Já em Portugal, a recomendação de vacinação é para grávidas com mais de 16 anos, após as 21 semanas de gestação, que tenham feito uma ecografia morfológica e mais de 14 dias após a administração de qualquer outra vacina.